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O Homem

O terceiro ser vivente visto por João tinha o aspecto de Homem (Ap.4:7). Enquanto o leão aponta para a largura, a extensão do domínio de Cristo (Fazei discípulos de todas as nações), o touro aponta para o comprimento, o propósito eterno de Cristo (esterei convosco todos os dias), o ser com um rosto humano aponta para a profundidade do amor de Cristo, manifesto em Seus ensinamentos. Por isso Ele orientou: “Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado”(Mt.28:20).
O homem é o único ser dotado da imagem e semelhança divinas. Ser “imagem” é ser hábil para refletir, ser dotado de consciência reflexiva. Somente um ser que fosse a imagem de seu Criador, poderia aprender dEle. Todos os seres O obedecem, mas somente o ser humano e os anjos são capazes de compreender Suas ordens. Ele não apenas é capaz de ver o mundo, mas também de fazer uma interpretação daquilo que vê. Por isso, ele é, juntamente com os anjos, os únicos que podem oferecer a Deus um culto racional.Ele é um espelho no qual o Universo se reflete. No homem a criação alcança seu apogeu. Ele é a obra-prima do Criador.
Obs.:

A ordem em que os seres viventes são apresentados é regressiva. O Leão, o Touro, o Homem e a Águia apontam para fatos em ordem regressiva, em vez de progressiva. A águia aponta para a profecia, pois ela enxerga o que ainda está distante. O Homem aponta para a encarnação de Cristo. O Touro representa o Seu sacrifício. E o Leão representa o Seu domínio, o Seu Reino. Todos esses seres são espectros de uma mesma realidade: Cristo. Sua encarnação é representada pelo ser com rosto humano. E Seus ofícios de profeta (águia), sacerdote (touro) e rei (leão), são representados pelos outros seres. Como afirmou Bonhoeffer, não há realidade fora de Cristo.
Isso se dá pelo fato de que a visão parte da perspectiva da eternidade, e não do tempo cronológico. Do Kairós, as coisas são vistas partindo do fim para o começo, e não do começo para o fim. É a partir do propósito último que todas as coisas plenamente compreendidas. Ele é, antes de tudo, Leão, Rei dos Reis. Como disse Daniel: “O seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino o único que não será destruído”(Dn.7:14b). Antes que houvesse cosmos, Ele reina. Depois vem o Touro, que aponta tanto para o Seu sacrifício, quanto para o Seu sacerdócio. Pois no desempenho de Seu sacerdócio, Ele é tanto o que oferece (sacerdote), quanto o que é oferecido (vítima, sacrifício). Da perspectiva da eternidade, o sacrifício de Cristo é anterior à Sua encarnação. Por isso lemos que “o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo”(Ap.13:8b). Na sequência aparece o ser com rosto de Homem. Trata-se de uma clara alusão à Encarnação do Logos Divino. “O Verbo se fez carne, e habitou entre nós”(Jo.1:14a). E finalmente, aparece um ser cujo aspecto é de uma água voando. A águia é conhecida por sua poderosa visão. Ela é capaz de enxergar pequenos objetos de uma distância considerável. Esse ser aponta para o ofício profético de Cristo. Ele é Aquele que diz: “Eu anuncio o fim desde o princípio, desde a antigüidade as coisas que ainda não sucederam. Eu digo: O meu propósito subsistirá, e farei toda a minha vontade”(Is.46:10). Antes mesmo de Sua Encarnação, Cristo era o espírito que falava pela boca dos profetas. Sobre isso, Pedro diz em sua primeira epístola: “Desta salvação inquiriram e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos era destinada, indagando qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e sobre as glórias que os seguiriam”(1 Pe.1:10-11).
É importante ressaltar que todos os quatro seres são espectros de um único Ser: Jesus Cristo. Não são seres inteiramente distintos, mas que expressão as várias facetas de CRISTO. O Leão não é só Leão; ele também tem seu lado Touro. Assim como não podemos separar a natureza de Cristo em duas ou mais. Cristo é ao mesmo tempo, Deus e Homem, profeta, rei e sacerdote.
Ezequiel teve uma visão bem semelhante a de João. A diferença é que em sua visão, cada um dos seres viventes possuía quatro faces. Eles eram, ao mesmo tempo, homem, leão, boi e águia (Ez.1:10). Enquanto João teve sua visão após a Cruz, que é o prisma por onde os espectros se distingüem, Ezequiel teve sua visão séculos antes.
Isaías também viu tais seres, antes mesmo de Ezequiel (Is.6:2). Ele os chama de Serafins (seres que ardem), e os descreve como tendo seis asas cada um: “com duas cobriam os seus rostos, com duas cobriam os seus pés e com duas voavam”. Por que seus rostos estavam cobertos? Por não haver chegado ainda a hora de serem revelados. Seus pés eram cobertos, porque os caminhos de Deus são misteriosos. E com as únicas asas que restavam, os seres voavam, demonstrando que, apesar dos mistérios que envolviam os propósitos de Deus, eles já estavam em andamento.
As seis asas de cada ser vivente apontam também para a humanidade de Cristo, que escondia a Sua divindade. O número seis é o número do homem. Por trás do véu de Sua humanidade, estava o próprio Deus.
Em Apocalipse, os seres viventes continuam com seis asas cada um, porém, elas já não serviam para ocultar os rostos desses seres. O que antes era usado para ocultar, agora é usado para revelar.
Em Cristo, as partes Se fundem, e formam um Todo. Nele encontramos o Pleroma. Nele tudo se harmoniza.

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